Telha de vidro: ter uma pode ser muito bom!


Ser psicóloga  foi a profissão que escolhi, primeiro racionalmente e em seguida com o coração. Cada nova sessão sinto-me num lugar sem nome, porém muito nobre: o lugar de testemunha de histórias de vidas.  Este também é um lugar de trocas, onde  dia-a-dia aprendo e me empenho a aprender muito mais.

Certo dia ouvi esta poesia de Raquel de Queroz  que me levou a pensar algo que sempre utilizo para mim e para os outros: diante de um obstáculo podemos paralizar e sofrer ou então agir diante da situação, buscando a solução possível para o momento.

Então, por que não compartilhar essa poesia com outras pessoas?

 Por que não apresentar a experiência da moça da cidade com aqueles que também podem estar diante de um obstáculo?

Leiam, reflitam e guardem para si a passagem mais importante. Use-a sempre que precisar!



Telha de Vidro (Raquel de Queroz)

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

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